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Umbanda: o que é, como surgiu e quais são seus principais fundamentos

A Umbanda faz parte da história religiosa e cultural do Brasil. Em seus terreiros convivem fé, ancestralidade, caridade, cantos, defumações, ervas, pontos riscados, atabaques e diferentes linhas de trabalho espiritual.

A Umbanda faz parte da história religiosa e cultural do Brasil. Em seus terreiros convivem fé, ancestralidade, caridade, cantos, defumações, ervas, pontos riscados, atabaques e diferentes linhas de trabalho espiritual.

Mas explicar o que é Umbanda em poucas palavras não é tão simples.

A religião se desenvolveu no Brasil e reúne influências que dialogam com diferentes matrizes religiosas e culturais. Além disso, não existe uma única maneira de praticá-la: fundamentos, rituais, nomes e interpretações podem variar bastante de um terreiro para outro.

Neste conteúdo, vamos conhecer alguns dos principais elementos da Umbanda e entender melhor termos que fazem parte do cotidiano de seus terreiros.

O que é Umbanda?

A Umbanda é uma religião brasileira formada historicamente pelo encontro de diferentes tradições religiosas presentes no país, com forte presença de elementos de matrizes africanas, indígenas, espíritas e cristãs.

Dentro dos terreiros, a espiritualidade é vivenciada de diferentes maneiras, mas conceitos como caridade, respeito à ancestralidade, desenvolvimento espiritual e trabalho com entidades aparecem com frequência.

É importante entender, porém, que a Umbanda não possui uma autoridade central responsável por determinar uma única doutrina para todos os terreiros.

Por isso, duas casas podem se reconhecer como umbandistas e ainda apresentar diferenças em seus rituais, fundamentos e formas de compreender determinados elementos.

Essa diversidade faz parte da própria história da religião.

Quando surgiu a Umbanda?

A narrativa mais difundida sobre a institucionalização da Umbanda situa um marco importante em 15 de novembro de 1908, associado a Zélio Fernandino de Moraes e à manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, no Rio de Janeiro.

Essa narrativa ocupa um lugar importante na memória de muitas vertentes umbandistas.

Entretanto, pesquisadores e diferentes tradições também discutem a formação da Umbanda como um processo histórico mais amplo, relacionado a práticas religiosas que já existiam no Brasil e às transformações sociais e culturais ocorridas entre o final do século XIX e o início do século XX.

Por isso, falar sobre a origem da Umbanda também significa reconhecer que existem diferentes leituras sobre sua formação.

O que acontece em um terreiro de Umbanda?

O terreiro é o espaço onde acontecem as atividades religiosas da casa.

Uma das mais conhecidas é a gira.

Durante uma gira podem existir cantos, pontos cantados, toque de atabaques, defumação, orações, passes, consultas e manifestações mediúnicas, dependendo dos fundamentos daquele terreiro.

Os médiuns podem trabalhar com diferentes linhas e entidades.

Também existem pessoas responsáveis por outras funções essenciais para o funcionamento da casa.

Entre elas estão os cambones, responsáveis por auxiliar entidades e médiuns durante determinados trabalhos, e os ogãs, cuja função pode envolver os atabaques, cantos e outras responsabilidades de acordo com a tradição da casa.

Cada terreiro possui sua própria organização.

Quem são as entidades da Umbanda?

Uma das características mais conhecidas da Umbanda é o trabalho espiritual realizado através de diferentes linhas de entidades.

Entre as mais conhecidas estão:

Caboclos;
Pretos Velhos;
Erês ou Crianças;
Exus;
Pombagiras;
Boiadeiros;
Marinheiros;
Baianos;
Malandros.

A maneira como essas linhas são organizadas e compreendidas pode variar entre diferentes tradições.

Também é importante não reduzir essas entidades a personagens ou estereótipos.

Pretos Velhos, Caboclos, Exus, Pombagiras e demais linhas possuem significados religiosos profundos dentro da Umbanda.

E os Orixás?

Os Orixás ocupam uma posição fundamental em muitas vertentes da Umbanda.

Nomes como Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Oxum, Iemanjá, Iansã, Nanã, Obaluaê e Ossaim aparecem frequentemente nos terreiros.

Entretanto, a maneira de compreender e cultuar os Orixás não é necessariamente igual à encontrada no Candomblé ou em outras religiões de matriz africana.

Também existem diferenças dentro da própria Umbanda.

Por isso, quando falamos sobre determinado Orixá, é importante considerar a tradição religiosa e o contexto em que aquela informação está inserida.

O que são pontos cantados?

Quem entra em um terreiro provavelmente perceberá rapidamente a importância dos cantos.

Os pontos cantados fazem parte dos rituais de muitas casas e podem estar relacionados à abertura e ao encerramento dos trabalhos, às linhas espirituais, aos Orixás e a diferentes momentos da gira.

Eles carregam símbolos, histórias, ensinamentos e referências religiosas.

É justamente por isso que expressões presentes nesses pontos despertam tanta curiosidade.

Frases como “Laroyê Exu”, “Okê Caboclo”, “Adorei as Almas”, “Saluba Nanã” e “Ewê Ô” possuem contextos que merecem ser conhecidos para além de uma tradução isolada.

Aqui na VesteAniz, vamos explorar essas expressões individualmente em outros conteúdos.

Por que existem tantas diferenças entre terreiros?

Essa é uma das dúvidas mais importantes para quem começa a conhecer a Umbanda.

Você pode visitar um terreiro e encontrar determinada organização ritual. Em outra casa, algumas coisas serão diferentes.

Isso não significa automaticamente que uma delas esteja errada.

A Umbanda desenvolveu diferentes vertentes, tradições e escolas ao longo de sua história.

Há casas com maior influência do Espiritismo, outras com fundamentos mais próximos de tradições afro-brasileiras, além de diferentes formas de organização e transmissão dos conhecimentos.

Por isso, frases como “na Umbanda é sempre assim” precisam ser usadas com cuidado.

Muitas vezes, a afirmação mais correta é:

“Nesta tradição ou nesta casa, é feito dessa maneira.”

Umbanda é cultura, memória e identidade

Conhecer a Umbanda não significa apenas decorar nomes de entidades, Orixás ou saudações.

Existe uma história brasileira por trás de tudo isso.

Os terreiros preservam cantos, símbolos, conhecimentos sobre ervas, formas de expressão, memórias e tradições transmitidas entre gerações.

Essa riqueza também ultrapassou os espaços religiosos e deixou marcas profundas na música, na linguagem, nas artes e na cultura brasileira.

Respeitar esses símbolos começa justamente por buscar compreender aquilo que eles representam.

Da história para a estampa

Muitas criações da VesteAniz nasceram desse interesse pelos símbolos, versos e expressões presentes na cultura umbandista.

Um ponto cantado pode carregar uma frase marcante. Uma saudação pode representar muito mais do que algumas palavras. Uma entidade pode despertar identificação, respeito e afeto em quem conhece sua história.

É daí que surgem várias de nossas estampas.

Não queremos apenas colocar um nome em uma camiseta.

Queremos que exista uma história por trás da estampa.

Ao longo dos próximos conteúdos, vamos aprofundar temas como Exus, Pombagiras, Pretos Velhos, Caboclos, Orixás, pontos cantados, saudações e os significados das referências que aparecem em nossas coleções.

Porque vestir um símbolo fica ainda mais especial quando conhecemos a história que ele carrega.



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